amsterdamente

Amsterdam eh mais, eh menos, eh normal, eh louca, eh tudo. Eu tambem.

Thursday, September 02, 2004

Por uma life less ordinary

Duas semanas de chuva, eu não agüentava mais, até terça-feira eu queria jogar tudo pro alto e ir embora dessa porra de cidade. Até terça. Depois de um final de semana com gente que eu gosto de verdade e que me conhece direitinho, voltar para Amsterdam, com mais chuva e começar uma semana de integração com novos estudantes em sua maioria bem sem-graça, mongolões mesmo, well, não era bem o retrato da felicidade. Ainda mais que eu tinha dor de cabeça e dor de garganta. Terça-feira fui dormir homesick, praguejando contra tudo e todos, pensando como é uma bosta o sistema de transporte público, como eu sou uma drama queen, como essa terra é friiiia, como eles se acham alternativinhos e revolucionários mas não são, como eu tô com saudade do meu namorado e me perguntando what the fuck eu tô fazendo aqui. Isso na terça.

Quarta amanheceu um dia como hoje, ensolarado e com cara de vida nova. Eu tinha mais dor de garganta ainda, mas pelo menos a de cabeça passou. Fui para o segundo dia da Introduction Period e... não sei, começo a ver as coisas de um jeito com-ple-ta-men-te diferente. Definitivamente não por causa dos discursos de motivação do reitor da UvA (tá, talvez um pouquinho, mas vocês tinham que ouvir os caras falam bem pracaralho), muito menos o tour pelos prédios da universidade. Com certeza não. Só sei que eu tenho curiosidade, tenho vontade, tenho ânsia e tenho motivos para estar aqui. E acho que eu estava me esquecendo deles. Tava com a cabeça ainda muito longe e acho que vou ter dias ainda muito ruins e recheados de depressão-brasilis. Porque vocês sabem, o nosso Brasilzinho não tem igual, as nossas pessoinhas, o nosso jeitinho, nossas gírias, nossos guris e gurias, tudinho tudinho, mesmo as coisas chatas e pequenas de Porto Alegre são muito nossas, muito minhas e ninguém me tira, não importa. Mas esse mundo é grande, é enorme, quase assustador, e eu tô aqui não é para ficar reclamando dos gringos e sentindo só saudade, se não é melhor eu voltar de uma vez e ficar reclamando dos europeus e americanos para vocês. Eu tô aqui é para aprender, ser cara-de-pau (é, Alice), errar e me fuder, experimentar, ser eu e também não ser eu, mudar e/ou continuar a mesma. Porque eu posso tudo. Sem esquecer das fotos. Então, ontem conheci tanta gente, mas tanta gente, algumas bem chatas e sem-sal mesmo, mas mesmo essas são interessantes de ficar analisando e tentando descobrir porque raios elas são assim ou assado. Mas peraí!! Eu também conheci muita gente LEGAL! E as pessoas legais, pah, dessas a gente tira um suquinho de essência de energia, em forma de papos interessantes e engraçados. Que futuramente viram amizades ou só uma companhia para de vez em quando ouvir estórias legais. Me perdoem o gênero hippie metafórico, mas é dessa energia que eu quero beber. Dá licença que eu tô indo.

1 Comments:

  • At 2:16 PM, Blogger Priscila Carvalho said…

    Nossa, que desabafo, amiga...
    Fica feliz, guria! Tu tá com a tua família aí, tu tem o mundo nas tuas mãos.
    Aproveita tudo que essa oportunidade tem de bom.
    Tu é uma guria feliz, sei disso. É uma fase.
    Não que eu não esteja morrendo de saudade, mas pensa que tu tem muito a aprender por essa terrinha.
    Eu estou contando os dias, apesar de faltar muito tempo ainda pra chegar março.
    Estou também já com o medinho e com as angústias de ir.
    Não quero ficar muito. Já sei disso...
    Um beijo, te cuida.

     

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