That free ride
Inacreditavel, mas a verdade eh que tem feito dias lindos de primevera nessa cidade que adora ser chuvosa. Dias lindos nao sao simplesmente ensolarados ou quentes. Alias, quase nunca sao quentes, talvez essa seja a minha grande birra com Amsterdam, essa cidade lindissima mas onde venta pra caralho que as vezes chega a dar raiva ainda mais se a gente tem que pedalar numa linha reta contra o maldito minuano gringo.
Mas isso fica pra depois. Porque nao reclamo mais de Amsterdam. Mentira, as vezes reclamo, soh que pouquinho. Bem pouquinho mesmo. Nas demais 23 horas e 55 minutos do dia estou gritando I love this city. Again, perco o fio da meada.
Retornando ao assunto principal do post. Ah, sim, esses dias lindos. Algum fisico um dia vai me explicar como os avioes (os comerciais, nao aqueles que ficam fazendo piruetinhas) deixam aqueles riscos brancos que parecem feitos de giz de cera. Jah ouvi dizer que era alguma coisa a ver com a densidade atmosferica, who knows. Quando Amsterdam resolve ter ceus azuis, capricha que deuzulivre. Pra fazer qualquer porto-alegrense orgulhoso do nosso teto ficar arrependido de ter dito que nao existe ceu mais azul do que aquele que a gente ama ver encostando no Guaiba.
Era um desses dias de ceu azul (eu sei que repeti ceu azul tres vezes nas ultimas tres frases e provavelmente nao o faria escrevendo como jornalista, mas como esse blog eh MEU e eu nao tenho CHEFE nem EDITOR, eu repito quantas vezes eu quiser todas as merdas que eu bem entender). E tambem sei que esse post estah horrivel, ainda mais com um parenteses desse tamanho justificando minha falta de vocabulario para encontrar um sinonimo para CEU e para a cor AZUL. Poetas, me ajudem.
Once more, lost my track.
Aqui estou. Dia lindo, riscos de giz de cera no ceu azul, quase nada de vento. Seis da tarde. Sabado. Os caras mais afude de Amsterdam se encontram na Waterlooplein.
Waterlooplein: praca que fica a 30 segundos da minha casa, onde tem uma enorme feira riponga todos os dias vendendo antiguidades, vinis, moveis, acessorios ciclisticos, panos, roupas, brechorias, badulaques, apetrechos, blig-blings, quinquilharias e inutilidades pelos mais camaradas precos. Or so they say.
Os caras mais afude de Amsterdam: Sara, Debby, Curt e moi.
Sooooooo, Sara estah embriagada e fede a.... alcool, eh claro, ela estah bebada, ao que mais ela poderia feder? Mas continua alta linda e loira, como de costume.
Curt estah usando um gorro de lan apesar do calorzito timido. Tudo pra esconder o corte de cabelo que eu fiz nele. Mas eu fiz um corte legal, foi ele quem fudeu tudo tentando fazer um moicano com o aparelho de babear. Nada que nao seja consertavel: mais tarde conseguiriamos uma maquina propicia e finalizariamos o look com perfeicao. Por agora, ele usa seu gorrinho marrom.
Debby is hot. Chega alegre, saltitante e ainda por cima muito, mas muito primaveril. Jaquetinha lilas, calca jeans justa, de blusinha branca decotada, um arraso. Morreria de frio mais tarde.
Nao vou falar de mim, exceto que estava incontrolavelmente feliz. Alguns diriam primaveril tambem, soh por causa da saia longa e da tornozelera (usava tamancos pela primeira vez em meses). Eu acho que estava bonitinha. Morreria de frio mais tarde. Pronto, falei de mim.
Sentamos com a maior cara-de-pau no trapiche de um dos 256 canal cruises espalhados por ali, na beira do Amstel. Perninhas balancando e tudo. Beque na mao, lata de cerveja na outra, muito papo filosofico. Secao devaneio. Como eu adoro devaneio. O grupo de executivos engravatados se preparando para o passeio nem se importou. Sao holandeses, nao ligam se voce estah plantando bananeira pelado ou rezando um terco - cada um faz o que bem entende. Menos gritar, porque eles odeiam gente barulhenta. Ainda mais se for turista. Talvez por isso nao vao muito com a cara dos ingleses que se afogam em cerveja e ficam urrando entre um gole e outro no meio da rua.
Ficar ali balancando os pezinhos na beira do canal, rindo relativamente alto, abanando para os barcos passantes e brindando nossas Heinekens geladas; isso nao dah nada.
Por do-sol, minha gente, o rio brilhando, a gente no brilho, aproveitando cada segundo daquelas que foram as melhores duas horas da nossa estadia amsterdamesa... pelo menos a gente pensou que fosse. Que emocao, emocao, emocao, mais epifanias de felicidade, ai meu deus, nao quero estar em nenhum outro lugar agora, a nao ser em um desses barcos holandeses (nao os turisticos horrorosos, os HOLANDESES). Vamos alugar um barco, vamos, vamos, vamos sim, mais perto do verao, com toda a galera, beber cervejinhas no fim de tarde, passear por ai que nem esses loiros ali na frente.
Eis que encosta um barquito holandes. Putamerda, nao podia escolher OUTRO lugar pra encostar? Tinha que ser no NOSSO trapiche?
O homem de cabelos rebeldes e encaracolados parece saido de filme, assim, tem um QUE de Gerard Depardieu (nem sei se escreve assim), aquele frances gordinho que fez Closet, Cristovao Colombo, e se eu nao me engano Cirrano tambem. Incrivel, todos comecam com C.
Entao o Gerard holandes nos oferece uma voltinha no barco dele.
Ele nao eh guia, nao nos cobra nada, nao quer a nossa cerveja, it's just a free ride, babe.
- WHAT?? Are you serious? Why are you doing this? Perguntamos perplexos nos entreolhando vermelhamente.
- Well, because it's a beautiful day and i love Amsterdam.
Apesar do medo momentaneo de que ele poderia ser um tarado bisexual estuprador de jovens estudantes internacionais ou mesmo um louco de atar que nos jogaria na agua, embarcamos.
Dai sim tivemos a melhor hora de toda a nossa estadia amsterdamesa. Gerard (que na verdade se chamava Mark e nao falava nada de frances) nos levou pra todos os cantos. Nos mostrou as bicicletas penduradas, a rua mais estreita, o canal mais largo, os becos aquaticos que nem faziamos ideia que existiam. Vimos a cidade dali, da agua.
Indescritivel, orgasmos multiplos, massa massa massa, todas as interjeicoes exageradas de admiracao que eu pudesse imaginar cruzam minha mente.
E eu nao tinha uma camera. Buenas, o que fariamos sem os avancos da tecnologia? Tinha meu celular. Com camera. Eba!
Quatro patetas euforicos... uma tristeza. Ah, duvido que voce ficasse encostadinho com as maos no joelho contemplando a paisagem. Voce seria patetico.
Terminado o passeio, o inesperado acontece. Mark olha para nos e pergunta se nao daremos nada em troca depois de tamanho presente. Nada mais justo, afinal de contas o homem se puxou na gentileza. Perguntamos o quanto poderiamos pagar, mas ele recusa. Mark quer mais do que dinheiro. Quer uma noite de prazer. Comigo.
Esse final eh mentira.
Bem feito para voce que pensou essa barbaridade do nosso amado Mark.
Ele nos deixa no mesmo trapiche, convidamos ele para uma janta e/ou tragos no Coco's Outback, ali na Rembrandtsplein, porque nossa amiga Sara aqui eh garconete do Coco's, sabe, estamos sempre por lah, aparece pra filar umas.
Ele aperta nossas maos com uma simpatia quase ridicula de honesta. Agradece. Quem sabe uma hora dessas? Se despede, dah partida no seu motorzinho lindo e parte rio afora.
Mas isso fica pra depois. Porque nao reclamo mais de Amsterdam. Mentira, as vezes reclamo, soh que pouquinho. Bem pouquinho mesmo. Nas demais 23 horas e 55 minutos do dia estou gritando I love this city. Again, perco o fio da meada.
Retornando ao assunto principal do post. Ah, sim, esses dias lindos. Algum fisico um dia vai me explicar como os avioes (os comerciais, nao aqueles que ficam fazendo piruetinhas) deixam aqueles riscos brancos que parecem feitos de giz de cera. Jah ouvi dizer que era alguma coisa a ver com a densidade atmosferica, who knows. Quando Amsterdam resolve ter ceus azuis, capricha que deuzulivre. Pra fazer qualquer porto-alegrense orgulhoso do nosso teto ficar arrependido de ter dito que nao existe ceu mais azul do que aquele que a gente ama ver encostando no Guaiba.
Era um desses dias de ceu azul (eu sei que repeti ceu azul tres vezes nas ultimas tres frases e provavelmente nao o faria escrevendo como jornalista, mas como esse blog eh MEU e eu nao tenho CHEFE nem EDITOR, eu repito quantas vezes eu quiser todas as merdas que eu bem entender). E tambem sei que esse post estah horrivel, ainda mais com um parenteses desse tamanho justificando minha falta de vocabulario para encontrar um sinonimo para CEU e para a cor AZUL. Poetas, me ajudem.
Once more, lost my track.
Aqui estou. Dia lindo, riscos de giz de cera no ceu azul, quase nada de vento. Seis da tarde. Sabado. Os caras mais afude de Amsterdam se encontram na Waterlooplein.
Waterlooplein: praca que fica a 30 segundos da minha casa, onde tem uma enorme feira riponga todos os dias vendendo antiguidades, vinis, moveis, acessorios ciclisticos, panos, roupas, brechorias, badulaques, apetrechos, blig-blings, quinquilharias e inutilidades pelos mais camaradas precos. Or so they say.
Os caras mais afude de Amsterdam: Sara, Debby, Curt e moi.
Sooooooo, Sara estah embriagada e fede a.... alcool, eh claro, ela estah bebada, ao que mais ela poderia feder? Mas continua alta linda e loira, como de costume.
Curt estah usando um gorro de lan apesar do calorzito timido. Tudo pra esconder o corte de cabelo que eu fiz nele. Mas eu fiz um corte legal, foi ele quem fudeu tudo tentando fazer um moicano com o aparelho de babear. Nada que nao seja consertavel: mais tarde conseguiriamos uma maquina propicia e finalizariamos o look com perfeicao. Por agora, ele usa seu gorrinho marrom.
Debby is hot. Chega alegre, saltitante e ainda por cima muito, mas muito primaveril. Jaquetinha lilas, calca jeans justa, de blusinha branca decotada, um arraso. Morreria de frio mais tarde.
Nao vou falar de mim, exceto que estava incontrolavelmente feliz. Alguns diriam primaveril tambem, soh por causa da saia longa e da tornozelera (usava tamancos pela primeira vez em meses). Eu acho que estava bonitinha. Morreria de frio mais tarde. Pronto, falei de mim.
Sentamos com a maior cara-de-pau no trapiche de um dos 256 canal cruises espalhados por ali, na beira do Amstel. Perninhas balancando e tudo. Beque na mao, lata de cerveja na outra, muito papo filosofico. Secao devaneio. Como eu adoro devaneio. O grupo de executivos engravatados se preparando para o passeio nem se importou. Sao holandeses, nao ligam se voce estah plantando bananeira pelado ou rezando um terco - cada um faz o que bem entende. Menos gritar, porque eles odeiam gente barulhenta. Ainda mais se for turista. Talvez por isso nao vao muito com a cara dos ingleses que se afogam em cerveja e ficam urrando entre um gole e outro no meio da rua.
Ficar ali balancando os pezinhos na beira do canal, rindo relativamente alto, abanando para os barcos passantes e brindando nossas Heinekens geladas; isso nao dah nada.
Por do-sol, minha gente, o rio brilhando, a gente no brilho, aproveitando cada segundo daquelas que foram as melhores duas horas da nossa estadia amsterdamesa... pelo menos a gente pensou que fosse. Que emocao, emocao, emocao, mais epifanias de felicidade, ai meu deus, nao quero estar em nenhum outro lugar agora, a nao ser em um desses barcos holandeses (nao os turisticos horrorosos, os HOLANDESES). Vamos alugar um barco, vamos, vamos, vamos sim, mais perto do verao, com toda a galera, beber cervejinhas no fim de tarde, passear por ai que nem esses loiros ali na frente.
Eis que encosta um barquito holandes. Putamerda, nao podia escolher OUTRO lugar pra encostar? Tinha que ser no NOSSO trapiche?
O homem de cabelos rebeldes e encaracolados parece saido de filme, assim, tem um QUE de Gerard Depardieu (nem sei se escreve assim), aquele frances gordinho que fez Closet, Cristovao Colombo, e se eu nao me engano Cirrano tambem. Incrivel, todos comecam com C.
Entao o Gerard holandes nos oferece uma voltinha no barco dele.
Ele nao eh guia, nao nos cobra nada, nao quer a nossa cerveja, it's just a free ride, babe.
- WHAT?? Are you serious? Why are you doing this? Perguntamos perplexos nos entreolhando vermelhamente.
- Well, because it's a beautiful day and i love Amsterdam.
Apesar do medo momentaneo de que ele poderia ser um tarado bisexual estuprador de jovens estudantes internacionais ou mesmo um louco de atar que nos jogaria na agua, embarcamos.
Dai sim tivemos a melhor hora de toda a nossa estadia amsterdamesa. Gerard (que na verdade se chamava Mark e nao falava nada de frances) nos levou pra todos os cantos. Nos mostrou as bicicletas penduradas, a rua mais estreita, o canal mais largo, os becos aquaticos que nem faziamos ideia que existiam. Vimos a cidade dali, da agua.
Indescritivel, orgasmos multiplos, massa massa massa, todas as interjeicoes exageradas de admiracao que eu pudesse imaginar cruzam minha mente.
E eu nao tinha uma camera. Buenas, o que fariamos sem os avancos da tecnologia? Tinha meu celular. Com camera. Eba!
Quatro patetas euforicos... uma tristeza. Ah, duvido que voce ficasse encostadinho com as maos no joelho contemplando a paisagem. Voce seria patetico.
Terminado o passeio, o inesperado acontece. Mark olha para nos e pergunta se nao daremos nada em troca depois de tamanho presente. Nada mais justo, afinal de contas o homem se puxou na gentileza. Perguntamos o quanto poderiamos pagar, mas ele recusa. Mark quer mais do que dinheiro. Quer uma noite de prazer. Comigo.
Esse final eh mentira.
Bem feito para voce que pensou essa barbaridade do nosso amado Mark.
Ele nos deixa no mesmo trapiche, convidamos ele para uma janta e/ou tragos no Coco's Outback, ali na Rembrandtsplein, porque nossa amiga Sara aqui eh garconete do Coco's, sabe, estamos sempre por lah, aparece pra filar umas.
Ele aperta nossas maos com uma simpatia quase ridicula de honesta. Agradece. Quem sabe uma hora dessas? Se despede, dah partida no seu motorzinho lindo e parte rio afora.


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